Pinturas do
Mestre Atahide
Abelardo de
Carvalho
Manuel da Costa
Atahide nasceu em Mariana em 1762 e morreu em
1830, era portanto contemporâneo de Aleijadinho
(1730-1814). Atahide viveu 68 anos e decorou 15
templos mineiros, sendo o primeiro, o forro da
nave da Capela de N. S. dos Anjos, em Ouro Preto.
Há quase duas décadas esta histórica cidade
foi tombada pelas Nações Unidas e conta com 25
igrejas preservadas, do século XVIII.
No teto de uma
delas, a Igreja São Francisco de Assis, está a
obra prima do pintor de Mariana. No rosto de
Nossa Senhora da Porciúncula o mestre pintou as
feições de sua companheira, a mulata Maria do
Carmo Raimunda. E, nos anjos, pôs os traços de
seus filhos e de moleques de Vila Rica. A
decoração desta igreja, incluindo pintura e
douramento da talha e encarnação das imagens,
foi realizada num período de seis anos. Estão
entre as principais e mais evidentes qualidade do
mestre: a grave expressividade do seu humanismo,
concentrada na representação do santo mestiço;
o refinamento da composição, centrada nas
formas de conchas e a combinação de elementos
diferentes; o cuidado com as tonalidades e um
particular claro-escuro. O azul e o vermelho,
cores vastamente exploradas por Atahide,
correspondem, na verdade, a uma constante do
gosto coletivo daquele período histórico.
Convenção a que ele naturalmente aderiu.
Atahide
certamente sofrera influência do Mestre João
Batista de Figueiredo, que pintou a igreja do
Rosário em Santa Rita Durão em 1792. A idéia
de autoria, de propriedade intelectual, somente
surgiu na época do setecentos mineiro, pois
Atahide já assinava as suas obras. A noção que
predominava até então era a do anonimato,
decorrente da tradição medieval. Na "Ceia
do Senhor", pintada numa das paredes do
Caraça, podemos ler: Atahide fes no Anno de
1828.
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