Ópera A Moderna
Tragédia Grega
Abelardo de
Carvalho
Dentre todas as
formas de expressão artística, a ópera é
certamente a mais completa. Pode ser definida
como uma peça teatral cantada, com
acompanhamento de orquestra. Abriga em sua
estrutura, portanto, literatura (libreto),
música (partitura), canto (recitativos), dança
(bailados) e teatro, incluindo, neste último,
brilhantes interpretações, grandes cenários e
belíssimos figurinos. A ópera, tal qual a
concebemos, surgiu na Itália, mais precisamente
em Florença, nos fins do século XVI, como
tentativa de recriar a tragédia grega. Por isso,
é comum a utilização de coristas, embora tenha
sido abolido o papel corifeu, que, na Grécia,
representava o chefe do coro.
Na ópera, o
texto é chamado de libreto e a música
geralmente começa com uma abertura, seguida de
árias, recitativos, duetos, quartetos e, em
alguns casos, bailados. As árias são momentos
utilizados pelos solistas, virtuoses do canto,
para demonstrarem todo o talento. A famosa escola
italiana, que comporta compositores do quilate de
Puccini, Verdi, Rossini e Bellini, dentre outros,
desenvolveu vários tipos de árias, tais como as
árias buffas, muito utilizadas principalmente em
operetas como as de Offenbach. As operetas se
diferem da ópera justamente pelas canções e
danças de cunho popularesco, inspiradas em temas
alegres e ligeiros.
O compositor
alemão, Richard Wagner (foto), foi o
responsável pela reformulação completa deste
modelo de ópera. Depois dele, a ópera nunca
mais foi a mesma. O seu estilo influenciou muitos
operistas, principalmente R. Strauss, mas também
provocou reações contrárias. Já no século
XIX, Wagner, que era o próprio libretista de
suas óperas, coisa rara, integrou a música ao
texto, eliminando as árias e os recitativos e
criando o que seria conhecido como leitmotiv,
isto é, motivo condutor. Wagner criou esta
expressão para caracterizar, em seus dramas
musicais, certos personagens, acontecimentos ou
situações, por meio de motivos sonoros. O leitmotiv
wagneriano possuiu um sentido simbólico. Na
ópera Carmem, a mais popular e mais executada,
dentre todas, nos dias de hoje, o seu compositor,
G. Bizet, usou deste artifício, ao criar frases
melódicas para ressaltar temas, como por
exemplo, o da morte de Carmem. Também o toureiro
Escamillo recebeu tratamento idêntico. Estes
motivos condutores, inclusive, podem ser ouvidos
logo na abertura e permearão toda a obra.
No Brasil, um
nome reina único e soberano: Carlos Gomes.
Nascido em Campinas, em 1836, seus dotes musicais
logo foram reconhecidos pelo imperador D. Pedro
II, que o enviou à Itália. O Guarani,
seu maior triunfo, foi apresentado ao público em
1870, no teatro Scala de Milão. O libreto, como
de costume, foi redigido em idioma italiano, pelo
poeta Antônio Scalvini. Suas principais óperas,
além de O Guarani, são: Fosca, O Escravo e
Salvador Rosa. Apesar de ser ovacionado no mais
conceituado teatro lírico do mundo, Carlos Gomes
não recebeu o devido reconhecimento fora da
Itália. E, talvez, por isso, morreu pobre,
quando retornou ao Brasil.
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