A ARTE RUPESTRE
Abelardo de
Carvalho
A arte foi, sem
sombra de dúvida, a primeira forma de expressão
do homem primitivo. Podemos constatar isto nas
figuras rupestres encontradas em cavernas da
Espanha (Altamira), França (Montnac) e, até
mesmo, do Brasil (Pains e Chapada Diamantina). O
homem primitivo representava, através da
pintura, cenas do cotidiano: caçadas, animais,
danças e divindades. Estes artistas primitivos
usavam os mais variados materiais como pigmentos
em suas pinturas: sangue, gema de ovo, seiva de
plantas, gorduras e, em casos extremos, até
mesmo excremento de animais.
Para sobreviver,
o homem da pré-história precisou desenvolver a
arte de reprensentar. A mímica, imitando o andar
cadenciado de cada animal ainda hoje é
encontrado em povos nômades que habitam o
deserto de Kalarari, no sul do continente
africano. Utilizando peles de animais mortos
sobre o próprio corpo, os caçadores primitivos
utulizavam da técnica do faz-de-conta para se
aproximarem e abaterem suas presas. Mediante
constatação, podemos afirmar que a arte é
inerente ao homem, desnecessária para muitos,
mas fundamental para a sobrevivência da
humanidade, em tempos remotos.
Um dos mitos
mais tenazes e universais de nossa espécie: o
mito da grande mãe, símbolo da fertilidade e da
vida, surgiu pela primeira vez em estatuetas,
todas com seios e ventres, na Europa
paleolítica. No período Paleolítico Superior,
há cerca de 60 a 40 mil anos atrás, o homem já
fabricava vários instrumentos: armas, objetos de
cerâmica, pintura, escultura, fazia instrumentos
musicais e tinha preferência por esculpir
figuras femininas em osso, pedra ou marfim. A
figura humana era representada em forma
esquematizada, enquanto os animais eram
reproduzidos com grande realismo nas paredes das
cavernas. As cores predominantes, nas artes
rupestres, principalmente, as européias, são o
ocre, o preto e o vermelho.
Quando ocorre o
desenvolvimento da agropecuária e do pastoreio,
o homem começa a fixar-se à terra. Ocorre um
desenvolvimento conjunto com a cerâmica e a
pintura. Durante o período Neolítico, o homem
começa a habitar as cabanas e as construções
agrupadas e erguidas sobre estacas no fundo dos
lagos e nas margens do rio. Existem em toda a
Europa, em função dos aspectos religiosos,
enormes monolitos, isolados ou em conjuntos,
alinhados ou dispostos em círculos.
Os Homens
pré-históricos esculpiram com algum
aprimoramento. A técnica desenvolveu-se somente
no final do período Neolítico. Durante a Idade
dos Metais, fase de transição entre a
Pré-história e os tempos históricos, são
empregados o bronze e o ouro na frabicação de
utensílios e adereços. Por volta do ano 1.000
a.c. o ferro já era empregado simultaneamente
com outros metais.
Os selvagens
magdalenienses criaram desenhos realistas e
vigorosos, que podem ser admirados em grutas e
museus arqueológicos como Altamira, Lascaux e
Cueca del Pindal. Nestes e em muitos outros
lugares, esta grande arte ficou enterrada por
milênios, pela falta de memória das culturas
selvagens. Em Nova Guiné, os papuas das tribos
mais atrasadas têm uma cultura bastante pobre
quanto à arte. Não passa de enfeites de penas e
alguns rabiscos elementares. Mas outros selvagens
caçadores, que viveram há uns 20.000 anos
atrás, produziram alguns dos melhores desenhos
da história da arte.
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