Talentos Ocultos
Abelardo de
Carvalho
A Dra.
Betty Edwards, americana, escreveu em 1979, um
livro bastante instigante sobre a técnica de
desenho. Através da intuição e de dez anos de
pesquisa, a doutora estabeleceu uma revolução
no ensino do desenho. As técnicas utilizadas já
eram conhecidas por alguns professores e artistas
plásticos, mas ela teve o mérito de lhes dar
fundamento científico.
Para ela, os
talentos artísticos se encontram ocultos no
hemisfério direito do cérebro das pessoas.
Está provado que a ligação do sistema nervoso
ao cérebro é feita em cruzamento. O hemisfério
esquerdo controla portanto o lado direito do
corpo e o hemisfério direito, o lado esquerdo. A
opinião geral, que prevaleceu até pouco tempo,
era que o hemisfério direito do cérebro sempre
foi menos desenvolvido que o esquerdo. "Uma
pessoa criativa é aquela capaz de processar, sob
novas formas, as informações de que dispõe. O
escritor precisa de palavras, o músico precisa
de notas, o pintor precisa de percepções
visuais e todos precisam de certo conhecimento
das técnicas de sua arte. Mas o indivíduo
criativo percebe intuitivamente possibilidades de
transportar dados comuns em uma nova criação
que transcende a mera matéria-prima", diz a
doutora Betty Edwards em seu revolucionário
livro: Desenhando com o Lado Direito do
Cérebro.
Roger Shepard,
professor de Psicologia de Stranford University,
descreveu na década de 70 sua modalidade pessoal
de pensamento criativo no qual as idéias de
pesquisa lhe ocorriam como soluções de
problemas que ele vinha buscando há muito tempo.
Essas soluções lhe surgiam sob forma não
verbal e essencialmente completas: "O fato
de que, nestes rasgos de iluminação, minhas
idéias assumiam principalmente uma forma visual
espacial, sem qualquer intervenção verbal
perceptível, está perfeitamente de acordo com
aquilo que sempre foi o meu método favorito de
raciocínio. Desde a infância, passei muitas de
minhas horas mais felizes absorvido no desenho,
mexendo com coisas, ou em exercícios de
visualização puramente mental".
Uma das
técnicas utilizadas pela doutora americana
consiste em desenhar croquis de cabeça para
baixo. (Vide ilustração ao lado.) Desta
maneira, o aspirante a artista é obrigado a
enxergar os traços do objeto detalhadamente,
enquanto que, da maneira convencional, os olhos
já estão viciados e o que sobressai é o
arquétipo do objeto. A idéia consiste em exigir
que as pessoas executem tarefas que não podem
ser utilizadas pelo lado esquerdo do cérebro,
que seria o lado racional e impregnado de
conceitos; passando a usar cada vez mais o lado
criativo, desenvolvendo aptidões antes
adormecidas. O aprendiz de artista precisa antes
de mais nada aprender a ver. A observação é
tudo no processo criativo. Para o professor K.
Nicolaides, ver simplesmente, portanto, não é
tudo. É necessário que se tenha um contato
novo, vívido e físico com o objeto que se
desenha, através do maior número possível de
sentidos e especialmente do sentido do
tato. Aprender a desenhar é realmente uma
questão de aprender a ver ver
corretamente o que implica muito mais do
que ver apenas com os olhos.
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